“Camões e a viagem iniciática”, de Helder Macedo

           

Camões e a viagem iniciática é referência indispensável nas bibliografias dos cursos de graduação e pós-graduação de literatura portuguesa. Por meio de um estilo singular, marcante pelo seu arrojo e ousadia, Helder Macedo analisa o amor na obra de Luís de Camões. Este professor do King’s College, que há décadas pesquisa a lírica e a epopeia camoniana, revela com autoridade o quanto o maior clássico da língua portuguesa estava na vanguarda de seu tempo, antecipando o nosso: “Com efeito, a consequente posição que registrou na sua obra de, ao mesmo tempo, sujeito e objeto de uma deliberada experimentação existencial concreta, aponta para uma concepção inteiramente nova da procura do ‘bem’ ou da felicidade na Terra como um propósito legítimo da vida”, afirma Helder Macedo em uma das belas passagens de seu livro, também notável pela linguagem clara, poética e sofisticada.

A presente edição, revista pelo autor, foi também ampliada, com o acréscimo de um terceiro capítulo, que trata da correspondência de Luís de Camões, confirmando mais uma vez, mas sob outra perspectiva, as questões analisadas em torno da lírica e da epopeia camoniana.  

 

 

Publicado em Camões e a viagem iniciática | Com a tag , | Deixar um comentário

“Consciência crítica de Eloésio Paulo em ‘Jornal para eremitas’” – Márcio Almeida

Artigo de Márcio Almeida sobre Jornal dos eremitas, de Eloésio Paulo. Publicado no Portal Cronópios:

Eloésio Paulo é doutor em Literatura, professor da Universidade Federal de Alfenas. Jornalista, atuou no Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde e O Globo, entre outros. Nasceu em Areado, MG, em 1965. Publicou Teatro às escuras – uma introdução ao romance de Uilcon Pereira (dissertação de mestrado, 1987), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007), Primeiras palavras do mamute degelado (2000), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso (2007).
       Na acepção de Luiz Ruffato, Eloésio Paulo é “a mais original voz do cenário da Literatura brasileira contemporânea”. Seu livro mais recente, Jornal para eremitas, tem por título a tradução de Ludwig Joachim Von Arnim (1781-1831), de sua obra Zeitung für Einsiedler. E está dividido em 4 partes: Porteira das almas, A fome estulta, Jornal dos eremitas e Seixo no iê-iê-iê.
       Ao dialogar com a tradição, Eloésio Paulo tornar-se contemporâneo pós-moderno de si mesmo e impõe-se genuinamente original em Jornal para eremitas, sedimentando sua linguagem a partir da antropofagia e da carnavalização gregoriano-barroca, de um moralismo contra o absurdo generalizado latente no Brasil real corrupto, violento, hilário e perverso, contrastante de valores invertidos e politicamente incorreto, com humor e com rara criatividade.
       Há nele, no poeta e no livro-síntese do seu trabalho com a poesia, um quê de Matos Guerra, de Oswald de Andrade, mas também um paideuma envolvente de poetas como Drummond, Fernando Pessoa, Dante, Augusto de Campos, Homero, Anna Akhmatova, João Cabral, Cassiano Ricardo; filósofos como Nietzsche, Zenão, Aristóteles, Pascal, Thoreau; personagens como Niemeyer, Mao, Hitler, Vando, Nabucodonosor, Demóstenes, Cézanne, Nabokov, Bernini, Bukovski, Lolita, Alice, Annabel Lee, Fellini, Kafka, Pollock; diversos teóricos e músicos. Além de uma obsessiva e corrosiva crítica metafísico-religiosa que presentifica-se nas 176 páginas do livro que antecede o seu inédito Homo hereticus.
       Por não simplesmente reproduzir modelos, mas atitudes de referências de tradições que constituem consciência crítica nacional, – o Boca do Inferno, Oswald de Andrade, por exemplo, e, em nível universal, dado à logopeia de Pound, Eloésio Paulo mantém uma poesia de “crítica e corrói o texto do poder, no poder de seu texto”, que caracteriza o que Lúcia Helena em Uma Literatura Antropofágica chamou em Gregório de Matos de poética da eficácia.
       Donde sua poesia não prestar-se a um leitor embevecido, cúmplice do establishment, mas a um leitor propenso a pensar na “ossatura do mundo” como quem já é “íntimo da morte”, “entre poças deixadas pelo discurso de setembro”, e que, com “outra artilharia” afronta “o ninho dos marimbondos.”
       O poeta está prevenido, ou seja, não vem em vão ou à toa: “rejeita qualquer delicadeza – não acredites – na doutrina do miosótis – precipitados do ramo – prefere o grito alucinado – à tentação do suspiro – usa o sangue – de tua estridente hemoptise – para ofender – a arte dos confeiteiros.” Como em Gregório de Matos, “a palavra busca não ser mais um estatuto de oficialização do discurso do poder” (L. Helena, ob.cit. p.22).
       Há um Ezra Pound logopaico sobretudo em Ministério dos Transportes, Cidade de Deus (“Tomar do outro – aquilo que ele tenha – é só que fazemos desta vida – Ou então tomam de nós – aquilo que ainda – nem podemos ter); A recalcitrante, Foi ao cinema e matou a família, Gentileza, Jornal de Eremitas, entre outros.
       Há uma lírica não-babaca, anti-sentimental, bem-humorada, oswaldiana, quase-deboche, mas sobretudo eloesiana em Gosmoconia, Wyatt Heart, Caminhar o poema (edênico e telúrico, com certeza um dos mais representativos poemas do livro), Desconversão, Bal post cani, Cartão postal, Ich habe die Kraft!, Overllaping, Schopenhauer, a semana e o sovaco, Pas de cal, Nãoderela, Safa deusa, Emília, Flauta-vértebra (perfeito!: ”Estou encontrando-me comigo – e descubro – quanto fui deserto – Desperto para tua ausência – que é quanto povoa – minha sombra imensa – Eu só existi – porque me habitavas”), entre outros.
       A fartura referencial – são mais de 25 citações – à ética judaico- cristã expõe a crítica eloesiana à lógica racionalista também combatida por seus ícones predecessores antropofágicos. Deus e religião são um incômodo para o poeta que vai inclusive retomar o tema com exclusividade em seu próximo livro “Homo hereticus” no qual dirá num poema intitulado Rigor verbis: “Pode haver algo mais obsceno – que estar em todos os lugares – e jamais ser visto?”, referindo-se a Deus. À sátira do poder institucional o poeta soma a sátira do poder religioso com uma ironia escarnecedora. Além de ver em tudo isso o determinismo da lógica opressora do patriarcado que imperou desde o Descobrimento, de que se valeu criticamente a antropofagia através do chiste, também Eloésio Paulo vê a religião como uma espécie de violência, donde pilheriar sua catequese que funda a submissão e forja a carnavalização contra o desejo reprimido.
       Predomina em tudo a irreverência: “Meus negócios na infância – eram nada menos que com Deus” (33) – “Era preciso esgotar o regador – vezes tantas como o anjinho-travesti – de Santo Agostinho – e antes que o mundo acabasse – segundo a hermenêutica barata – do oráculo de Fátima – não perder o último combate de Ultra Seven” (33) – “Deus não cabe em mim – e também n´Ele não caibo” (52 – “Mãe rainha: não quis deixar-me – remexer nas partes – cor de rosa” (102) – “Quer trocar sua boca-de-fumo – na minha igreja evangélica?” (114) – “Quando Javé se irritava – triturava trocentos filisteus” (121) – “Gênese: Naquele dia choveu e Adão – olhando as coisas através de uma cortina – foi-lhes dando nomes embaçados – enquanto Jwhw se divertia – com o pileque onomástico da criatura” (125) – Papelão: na manhã que arde – o cavalo empacado – enriquece a miséria do carroceiro- no Reino de Deus – guardando o dia santo” (140) – A recalcitrante: “o senhor é meu pastor – mas não me pastará” (142) – “Champanha antidrogas: não fumo – NEM JESUS” (143), entre outros.

Publicado em Eloésio Paulo, Jornal para eremitas | Com a tag , , , | Deixar um comentário

Lançamento do romance “Argos” e do CD “Vou à vila”, de Mauro Sta. Cecília

Publicado em Móbile Editorial | Com a tag | Deixar um comentário

Encontro com Gastão Cruz

Publicado em Escarpas | Com a tag | Deixar um comentário

“Machado de Assis e o outro: diálogos possíveis” – Lançamento

Publicado em Hélio de Seixas Guimarães, Machado de Assis e o outro: diálogos possíveis, Marta de Senna | Com a tag , | Deixar um comentário

“Entre paredes e ondas”, de Alexandre Marinho – Lançamento

Publicado em Alexandre Marinho, Entre paredes e ondas | Com a tag , | Deixar um comentário

Entrevista de Delano Valentim para o Programa Andante

Entrevista com Delano Valentim, autor de Todo mundo é Jhow!, para o Programa Andante, veiculado pela Web TV e pelo Canal 12 da NET Rio – TV Alerj – Sábado – 21:30h e Domingo – 14:30h.

Delano Valentim – Programa Andante

Publicado em Delano Valentim, Todo mundo é Jhow! | Com a tag , | Deixar um comentário

“Do factual à poesia pura”

Matéria publicada no jornal O Globo sobre Poemas tirados de notícias de jornal, de Ramon Mello.

Publicado em Poemas tirados de notícias de jornal, Ramon Mello | Com a tag , , | Deixar um comentário

Capítulo disponível para download de “Todo mundo é Jhow!”, de Delano Valentim

A Móbile Editorial disponibiliza o capítulo 22 de Todo mundo é Jhow!, de Delano Valentim, que foi contemplado em primeiro lugar na categoria romance do “Edital Novos Autores Fluminenses – 2010/2011″ da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

Publicado em Delano Valentim, Todo mundo é Jhow! | Com a tag | Deixar um comentário

O lançamento de “Todo mundo é Jhow!”

O romance Todo mundo é Jhow!, do músico e escritor Delano Valentim, será lançado no dia 28 de junho, na livraria da Travessa do Shopping Leblon (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon, Rio de Janeiro – RJ, 22430-060 – 2º piso | telefone (21) 3138-9600).

O lançamento já foi noticiado pelos blogs do Plástico Bolha, Zine Zero Zero, Textos & Livros Premiados, Anna Ramalho, site da Universidade das Quebradas e Jornal do Brasil.

Publicado em Delano Valentim, Todo mundo é Jhow! | Com a tag , | Deixar um comentário