Descrição e pesquisa: reflexões em torno dos arquivos pessoais

Lucia Maria Velloso de Oliveira revela neste livro grande senso crítico ao avaliar tentativas de formatação do processo descritivo de arquivos pessoais. A autora se lança inicialmente a uma perspectiva diacrônica, que parte do século XIX e chega aos dias atuais, contemplando também, dessa maneira, as normas descritivas de diversos países. Organiza não apenas um panorama em torno dessa complexa questão, mas também abre caminhos de reflexão sobre o lugar ocupado pelos arquivos pessoais e a função importante da pesquisa no engendramento dos trabalhos de um arquivista.

            Como muito bem destacadou a professora Ana Maria Camargo, apresentadora deste livro, Lucia Maria Velloso de Oliveira “responde a algumas perguntas e defende posições”; “suscita, em contrapartida, instigantes problemas que seus leitores saberão, certamente, identificar”. Respostas, perguntas e problemas aqui desenvolvidos com grande habilidade e rigor, que, certamente, se tornarão referência inquestionável nos estudos dessa área do conhecimento.

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Cem anos de Dinah Silveira de Queiroz

PublishNews – 10/01/2012 – Por Redação

Em homenagem ao centenário do nascimento da escritora paulista Dinah Silveira de Queiroz, a Academia Brasileira de Letras (ABL), em parceria com a Sala de Cultura Leila Diniz, inaugura amanhã exposição sobre a autora. Com o título “Dinah, Caríssima Dinah”, a mostra aborda desde a infância na capital paulista até a apoteose da carreira literária. Morta em 1982, a escritora teria completado cem anos em novembro do ano passado. Conhecida principalmente pelo livro A Muralha – que virou minissérie da Rede Globo em 2000 –, Dinah possuía versatilidade no mundo das letras, tendo escrito contos, romances e crônicas. Também acumulou diversos prêmios, entre eles o Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Em 1980, foi a segunda mulher a ser eleita para a ABL. A exposição, com curadoria do poeta Alexei Bueno, pode ser visitada gratuitamente, de segunda a sexta-feira, das 10 às 17 horas, e, aos sábados, das 14 às 17 horas (Rua Heitor Carrilho, 81 – Niterói/ Rio de Janeiro).

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Dinah reeditada

Nota da coluna No Prelo do jornal O Globo:

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Dinah Silveira de Queirós na Móbile Editorial

Notícia publicada na coluna Babel do caderno Sabático do Estado de S. Paulo, dia 10 de dezembro:

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Francisco José Viegas

Francisco José Viegas, editor, jornalista, poeta e romancista, nasceu em 1962, em Portugal. Escreveu mais de vinte livros, com destaque para o notável Longe de Manaus, que recebeu, em 2005, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Destacam-se também os romances As duas águas do mar (1992), Um céu demasiado azul (1995), Lourenço Marques (2002), publicado no Brasil com o título A luz do Índico, e O mar em Casablanca (2009). Seus livros se encontram em catálogos de renomadas editoras da Alemanha, França e Itália. Foi diretor da Casa de Fernando Pessoa, em Lisboa. Eleito deputado em 2011, tornou-se então secretário de Estado da Cultura de Portugal.

Um crime capital está chegando às livrarias e no próximo ano a Móbile Editorial lançará seu último romance, O mar em Casablanca.

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Um crime capital, de Francisco José Viegas

Em 2001, a cidade do Porto foi Capital Europeia da Cultura. No romance Um crime capital, de Francisco José Viegas, os preparativos dessa festa tornam-se o cenário de uma série de assassinatos, que são investigados por Jaime Ramos e seu fiel escudeiro, Isaltino de Jesus, personagens de vários livros do autor. “Agora, só trato de coisas importantes, crimes de gente culta”, afirma Ramos, com o seu humor de sempre.

Illan Levan, ás da informática, brasileiro, é uma das vítimas, provocando o inesperado encontro entre Jaime Ramos e Mandrake, que parece saltar do romance A grande arte, de Rubem Fonseca, para assumir em Um crime capital o papel de advogado da família Levan.

O investigador português tem “pouca paciência para brasileiros e menos ainda para advogados”, o que provoca alguns diálogos memoráveis entre Jaime Ramos e Mandrake no percurso de elucidação dos crimes. Mas não é apenas de assassinatos que este romance de Francisco José Viegas trata: há reflexões sobre a morte, a paixão e o poder. O suspense, aqui, vem acompanhado de questionamentos sobre questões centrais da grande literatura universal.

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“Maria Bethânia Guerreira Guerrilha”, por Mauro Ferreira

Resenha de Mauro Ferreira sobre o livro Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, de Reynaldo Jardim:

É o travo nos dentes
Guerreira
É o trevo das coxas
Guerrilha
É o grito no canto
Guerreira
É o canto de guerra
Guerrilha
É o roxo acalanto
Guerreira
É o perdão de joelho
Guerrilha

O trecho do poema polifônico Maria Bethânia Guerreira Guerrilha indica o ponto de fervura com que  o poeta Reynaldo Jardim (1926 – 2011) escreveu os versos editados em livro lançado originalmente em 28 de novembro de 1968, duas semanas antes da promulgação do Ato Institucional nº 5. Até então título de colecionador, disputado a tapas e preços exorbitantes em sebos, o livro-poema está de volta à cena em reedição luxuosa produzida sob a organização de Marcio Debelian e Ramon Mello. Subversivo no conteúdo e na forma (Jardim transpôs o conceito musical de polifonia para o universo da poesia ao estruturar seus versos inflamados com fontes, sonoridades e tempos diversos), o longo poema Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ocupa todo o livro original e, por si só, já justifica a reposição em catálogo desse livro perseguido pela censura dos anos mais rebeldes do regime militar instaurado à força no Brasil em 1964. Inspirado pela histórica interpretação de Carcará (João do Vale e José Cândido) apresentada por Bethânia no espetáculo Opinião em 1965, Jardim concebeu poema em chamas que traduz a incendiária força dramática do canto da intérprete ao mesmo tempo em que espalha as labaredas do inconformismo dos mais valentes contra a mordaça oficial que asfixiava as liberdades – sobretudo a de expressão – naquele ano de 1968 que parece não ter terminado a julgar pela repressão e pelo patrulhamento ainda detectados no Brasil de 2011. Talvez por isso o livro de Jardim tenha tido sua primeira edição destruída em sua quase totalidade pelo regime opressor da época. Através de Bethânia, rotulada à revelia como cantora de protesto por conta do voo alto de seu Carcará, Jardim fez ressoar pela poesia o seu canto de guerra. Os versos incandescentes de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ainda queimam a língua de quem se curva face aos podres poderes, mas aquecem a alma dos que se levantam contra os desmandos, dos que se jogam sem rede de proteção. Altiva desde sempre, Maria Bethânia jamais se curvou, impondo desde sempre a personalidade forte de seu canto e de sua alma embebida em teatro e poesia – traço que fica nítido na leitura do caloroso perfil sobre a intérprete, publicado na revista Visão de 30 de novembro de 1967 e reproduzido na reedição de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ao lado de artigo do jornal O Sol sobre a cantora, de depoimento de Jardim sobre a saga heroica do livro – fala transcrita do curta-metragem Profana Via Sacra (Alisson Sbrana, 2010) – e da partitura de Gaivota, tema musicado por Lourdes Ábido a partir de alguns versos do poema que ora volta à cena, quase tão ardente quanto naquele inflamado ano de 1968, nesta oportuna reedição do guerreiro livro.

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Impublicáveis, de Ana B.

Está no prelo o livro de estreia de Ana B., Impublicáveis, a ser lançado em novembro.

Ana B. nasceu no Rio de Janeiro, em 1983. Graduou‑se em cinema pela Universidade Estácio de Sá e fez mestrado em literatura brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com dissertação sobre a poesia de Hilda Hilst.


Sextil Vênus Saturno

                                                                                           Dance me to the end of love

                                                                                                                              Leonard Cohen                                                                                                                                              

Poderia dormir um século na sua cama
Arrumar lençóis em super oito
Despedaçar super novas dar na sua boca

Comer de colher a via láctea num prato fundo.
Porque seu rosto (violinos violentos arrebentam)
Abriu abismos pelas mãos e respiramos.
Nenhum metro vai medir as rugas do poema.

Se estamos juntos
O tempo não passa da palavra
Paciência, as verduras são mais frescas pela manhã.

 

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Reedição de livro de 1968 traz poesia valente de Bethânia de volta à cena

Reproduzido do blog do jornalista e crítico especializado em música Mauro Ferreira:

A reedição do (até então raríssimo) livro de poesia Maria Bethânia Guerreira Guerrilha - lançado às vésperas da promulgação do asfixiante Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968 – motivou Maria Bethânia a fazer no Teatro Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro (RJ), duas apresentações do recital de poesia Bethânia e as Palavras para celebrar a obra do poeta e jornalista Reynaldo Jardim (1926 – 2011), autor do livro considerado subversivo e pornográfico pelo regime militar da época. Por conta da ocasião, Bethânia - vista em foto de Rodrigo Amaral na apresentação desta terça-feira, 18 de outubro de 2011 - incluiu no roteiro poema de Jardim, O Que se Odeia no Índio, escolhido ao acaso quando a intérprete abriu o livro que compila a obra do escritor, Sagradas Escrituras, conforme a artista contou em cena. Orgulhosa com a reedição, a intérprete teceu loas ao poeta ao longo da apresentação aberta com a exibição de vídeo com o trecho do curta-metragem Profana Via Sacra (de Alisson Sbrana) em que Jardim recorda a saga do livro, cuja primeira edição foi quase toda confiscada e destruída pelos órgãos repressores do Governo da época. Na sequência da abertura, o ator Elias Andreato entrou no palco para recitar trecho do longo poema do livro e somente então depois Bethânia, a senhora da cena, apareceu para fazer o espetáculo em que entrelaça música e poesia. No bis, a pedido de um espectador, Bethânia cantou Carcará (João do Vale e José Cândido), o tema que alçou voo alto pelos ceús do Brasil desde que foi abordado pela artista em 1965 no show Opinião, em interpretação tão marcante que inspirou Jardim a escrever o livro ora relançado pela Móbile Editorial sob a organização de Marcio Debelian e Ramon Mello. Em cartaz no Sesc Ginástico somente até 19 de outubro, Bethânia e as Palavras voltou à cena mais longo – com a adição de músicas como a guarânia Meu Primeiro Amor (Lejania), sucesso da dupla Cascatinha & Inhana, e Todo o Sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque) - porém com a mesma estrutura básica da primeira temporada do recital, iniciada em 2 de setembro de 2010 no Teatro Fashion Mall (clique aqui para ler a resenha da estreia e  aqui para ver o roteiro), no mesmo Rio de Janeiro (RJ) para onde Bethânia trouxe de volta seu canto sagrado e suas palavras valentes para celebrar a poesia de Reynaldo Jardim.

 

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Coisas de amor que eles fizeram


No dia 19 de outubro, a jornalista Alexandra Lucas Coelho acrescentou em seu blog Atlântico-Sul um comentário a mais relacionado com a sua crônica publicada n’O Público, de Lisboa:

“Lindo, emocionante, o recital de Maria Bethânia, ontem à noite (e hoje) no Rio, marcando o relançamento do livro de Reynaldo Jardim, Maria Bethânia Guerreira Guerrilha, imaginado por Ramon Mello e Marcio Debellian, e editado por Eduardo Coelho. De “Estranha Forma de Vida” aquele trecho do Grande Sertão em que o coração cresce de todo o lado, quase duas horas de delicadeza, como diria Bethânia, nesse mundo estranho de 2011.”

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