Observação do verão seguido de Fogo é consagrado melhor livro de Poesia do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2014

Observação do Verão seguido de Fogo

O livro Observação do verão seguido de Fogo, da Móbile Editorial (2013), foi consagrado nesta segunda-feira, 8 de dezembro de 2014, o melhor livro de Poesia no prêmio Portugal Telecom de Literatura 2014!

Vivas a Gastão Cruz!

 

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“José”, de JD Lucas

           

     Por iniciativa de Marcus Vinicius Faustini, a Escola Livre da Palavra, na Lapa, organizou um curso sobre o romance com o professor Eduardo Coelho, da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O curso se destinava a autores interessados em conhecer alguns fundamentos desse gênero literário, bem como discutir a dissolução da ideia de gênero. Foram lidos textos de teoria da literatura e romances, discutindo o enredo, a personagem, o tempo, o espaço, e outras questões relacionadas à composição do romance. Exercícios também eram realizados pelos alunos e em seguida debatidos, com a análise de suas estratégias criativas.

        Desde o início do curso, JD Lucas mostrou domínio de um repertório incrível: já havia lido obras de Ítalo Calvino, Kafka, Machado de Assis, Clarice Lispector, Dalton Trevisan… Nos exercícios, revelava uma habilidade surpreendente, resolvendo muito bem certas questões técnicas e ao mesmo tempo apresentando trechos de alta comoção. É um escritor preparado, sutil, com uma linguagem fluida e atraente.

            Em José, primeiro título da série Novelas Extraordinárias, que a Móbile lança a partir de agora, é possível constatar a alta qualidade da narrativa e o vigor com que JD Lucas desenvolve uma obra rica e tocante. Por meio de um narrador em primeira pessoa, a história de José, permeada de uma linguagem intimista, em que se destacam ainda seu intenso lirismo e seu clima noir. Não se trata, porém, de uma investigação voltada aos fatos, mas à psicologia de José, um personagem complexo, que inicialmente se revela entusiasmado e determinado e, por fim, vai sendo corroído pela experiência da perda.

            No fim dessa novela, há mudança de registro narrativo: o texto em primeira pessoa, que lembra o tom memorialístico, é substituído por uma carta de José. Embora a carta apresente um outro gênero discursivo, a linguagem intimista e a vibração de emoções mantêm-se sem qualquer abalo. No entanto, a carta insere uma nova perspectiva sobre o percurso do protagonista e traz ao contexto da novela uma dimensão trágica. 

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“Novas dimensões da pesquisa e do ensino da Arquivologia no Brasil”

   

         Este livro reúne textos em espanhol e português que resultam de conferências e comunicações apresentadas durante a II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia (REPARQ), realizada na cidade do Rio de Janeiro sob organização da Escola de Arquivologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e do curso de Arquivologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

            As reflexões aqui desenvolvidas buscam contemplar as transformações que novos modos de produção exigem dessa disciplina científica, especialmente na área de ensino e pesquisa. As considerações de vários profissionais dessa área encontram-se distribuídas em três seções: “A pesquisa em Arquivologia e a construção do campo arquivístico no Brasil”, “O ensino da Arquivologia” e “Os arquivos e a Arquivologia como objeto de pesquisa”. Por fim, este livro ainda traz a seus leitores as “Recomendações e moções da II Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia”, onde é possível observar os avanços e o desejo de atualização de um setor do conhecimento da maior importância para a preservação da história artística, científica, cultural e política deste país.

               Organização de Anna Carla Almeida Mariz, José Maria Jardim e Sérgio Conde de Albite Silva.

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“Viagens e deslocamentos”, de Luiz Montez (org.)

Este livro é o resultado do esforço e diálogo de vinte pesquisadores de onze instituições de ensino, pesquisa e museologia de diferentes regiões do Brasil. É o reflexo do exercício, ao longo de dois breves dias, ao final de novembro de 2010, de excelente e proveitoso convívio acadêmico, no âmbito do I Colóquio do LIEDH. Ali interagiram atores que, eles mesmos por vezes separados geograficamente por centenas e centenas de quilômetros, efetuaram aquilo que o evento propôs em seu mote: a reflexão sobre viagens e deslocamentos, vinculada à busca e representação das diferentes identidades, inscritas na sua própria práxis enquanto acadêmicos brasileiros.

Organizamos os artigos nesta edição a partir de um princípio temático que nos pareceu o mais apropriado para uma leitura sequencial a mais fluida possível, haja vista que todas as contribuições são independentes entre si – ainda que possuam uma diretriz comum. Ressalte-se que nos esforçamos para que a leitura de cada texto se tornasse acessível não somente para o público acadêmico e universitário, mas também, na medida do possível, para o leitor interessado de escolaridade média.

Luiz Montez

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“Camões e a viagem iniciática”, de Helder Macedo

           

Camões e a viagem iniciática é referência indispensável nas bibliografias dos cursos de graduação e pós-graduação de literatura portuguesa. Por meio de um estilo singular, marcante pelo seu arrojo e ousadia, Helder Macedo analisa o amor na obra de Luís de Camões. Este professor do King’s College, que há décadas pesquisa a lírica e a epopeia camoniana, revela com autoridade o quanto o maior clássico da língua portuguesa estava na vanguarda de seu tempo, antecipando o nosso: “Com efeito, a consequente posição que registrou na sua obra de, ao mesmo tempo, sujeito e objeto de uma deliberada experimentação existencial concreta, aponta para uma concepção inteiramente nova da procura do ‘bem’ ou da felicidade na Terra como um propósito legítimo da vida”, afirma Helder Macedo em uma das belas passagens de seu livro, também notável pela linguagem clara, poética e sofisticada.

A presente edição, revista pelo autor, foi também ampliada, com o acréscimo de um terceiro capítulo, que trata da correspondência de Luís de Camões, confirmando mais uma vez, mas sob outra perspectiva, as questões analisadas em torno da lírica e da epopeia camoniana.  

 

 

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“Consciência crítica de Eloésio Paulo em ‘Jornal para eremitas’” – Márcio Almeida

Artigo de Márcio Almeida sobre Jornal dos eremitas, de Eloésio Paulo. Publicado no Portal Cronópios:

Eloésio Paulo é doutor em Literatura, professor da Universidade Federal de Alfenas. Jornalista, atuou no Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde e O Globo, entre outros. Nasceu em Areado, MG, em 1965. Publicou Teatro às escuras – uma introdução ao romance de Uilcon Pereira (dissertação de mestrado, 1987), Os 10 pecados de Paulo Coelho (2007), Primeiras palavras do mamute degelado (2000), Cogumelos do mais ou menos (2005), Inferno de bolso (2007).
       Na acepção de Luiz Ruffato, Eloésio Paulo é “a mais original voz do cenário da Literatura brasileira contemporânea”. Seu livro mais recente, Jornal para eremitas, tem por título a tradução de Ludwig Joachim Von Arnim (1781-1831), de sua obra Zeitung für Einsiedler. E está dividido em 4 partes: Porteira das almas, A fome estulta, Jornal dos eremitas e Seixo no iê-iê-iê.
       Ao dialogar com a tradição, Eloésio Paulo tornar-se contemporâneo pós-moderno de si mesmo e impõe-se genuinamente original em Jornal para eremitas, sedimentando sua linguagem a partir da antropofagia e da carnavalização gregoriano-barroca, de um moralismo contra o absurdo generalizado latente no Brasil real corrupto, violento, hilário e perverso, contrastante de valores invertidos e politicamente incorreto, com humor e com rara criatividade.
       Há nele, no poeta e no livro-síntese do seu trabalho com a poesia, um quê de Matos Guerra, de Oswald de Andrade, mas também um paideuma envolvente de poetas como Drummond, Fernando Pessoa, Dante, Augusto de Campos, Homero, Anna Akhmatova, João Cabral, Cassiano Ricardo; filósofos como Nietzsche, Zenão, Aristóteles, Pascal, Thoreau; personagens como Niemeyer, Mao, Hitler, Vando, Nabucodonosor, Demóstenes, Cézanne, Nabokov, Bernini, Bukovski, Lolita, Alice, Annabel Lee, Fellini, Kafka, Pollock; diversos teóricos e músicos. Além de uma obsessiva e corrosiva crítica metafísico-religiosa que presentifica-se nas 176 páginas do livro que antecede o seu inédito Homo hereticus.
       Por não simplesmente reproduzir modelos, mas atitudes de referências de tradições que constituem consciência crítica nacional, – o Boca do Inferno, Oswald de Andrade, por exemplo, e, em nível universal, dado à logopeia de Pound, Eloésio Paulo mantém uma poesia de “crítica e corrói o texto do poder, no poder de seu texto”, que caracteriza o que Lúcia Helena em Uma Literatura Antropofágica chamou em Gregório de Matos de poética da eficácia.
       Donde sua poesia não prestar-se a um leitor embevecido, cúmplice do establishment, mas a um leitor propenso a pensar na “ossatura do mundo” como quem já é “íntimo da morte”, “entre poças deixadas pelo discurso de setembro”, e que, com “outra artilharia” afronta “o ninho dos marimbondos.”
       O poeta está prevenido, ou seja, não vem em vão ou à toa: “rejeita qualquer delicadeza – não acredites – na doutrina do miosótis – precipitados do ramo – prefere o grito alucinado – à tentação do suspiro – usa o sangue – de tua estridente hemoptise – para ofender – a arte dos confeiteiros.” Como em Gregório de Matos, “a palavra busca não ser mais um estatuto de oficialização do discurso do poder” (L. Helena, ob.cit. p.22).
       Há um Ezra Pound logopaico sobretudo em Ministério dos Transportes, Cidade de Deus (“Tomar do outro – aquilo que ele tenha – é só que fazemos desta vida – Ou então tomam de nós – aquilo que ainda – nem podemos ter); A recalcitrante, Foi ao cinema e matou a família, Gentileza, Jornal de Eremitas, entre outros.
       Há uma lírica não-babaca, anti-sentimental, bem-humorada, oswaldiana, quase-deboche, mas sobretudo eloesiana em Gosmoconia, Wyatt Heart, Caminhar o poema (edênico e telúrico, com certeza um dos mais representativos poemas do livro), Desconversão, Bal post cani, Cartão postal, Ich habe die Kraft!, Overllaping, Schopenhauer, a semana e o sovaco, Pas de cal, Nãoderela, Safa deusa, Emília, Flauta-vértebra (perfeito!: ”Estou encontrando-me comigo – e descubro – quanto fui deserto – Desperto para tua ausência – que é quanto povoa – minha sombra imensa – Eu só existi – porque me habitavas”), entre outros.
       A fartura referencial – são mais de 25 citações – à ética judaico- cristã expõe a crítica eloesiana à lógica racionalista também combatida por seus ícones predecessores antropofágicos. Deus e religião são um incômodo para o poeta que vai inclusive retomar o tema com exclusividade em seu próximo livro “Homo hereticus” no qual dirá num poema intitulado Rigor verbis: “Pode haver algo mais obsceno – que estar em todos os lugares – e jamais ser visto?”, referindo-se a Deus. À sátira do poder institucional o poeta soma a sátira do poder religioso com uma ironia escarnecedora. Além de ver em tudo isso o determinismo da lógica opressora do patriarcado que imperou desde o Descobrimento, de que se valeu criticamente a antropofagia através do chiste, também Eloésio Paulo vê a religião como uma espécie de violência, donde pilheriar sua catequese que funda a submissão e forja a carnavalização contra o desejo reprimido.
       Predomina em tudo a irreverência: “Meus negócios na infância – eram nada menos que com Deus” (33) – “Era preciso esgotar o regador – vezes tantas como o anjinho-travesti – de Santo Agostinho – e antes que o mundo acabasse – segundo a hermenêutica barata – do oráculo de Fátima – não perder o último combate de Ultra Seven” (33) – “Deus não cabe em mim – e também n´Ele não caibo” (52 – “Mãe rainha: não quis deixar-me – remexer nas partes – cor de rosa” (102) – “Quer trocar sua boca-de-fumo – na minha igreja evangélica?” (114) – “Quando Javé se irritava – triturava trocentos filisteus” (121) – “Gênese: Naquele dia choveu e Adão – olhando as coisas através de uma cortina – foi-lhes dando nomes embaçados – enquanto Jwhw se divertia – com o pileque onomástico da criatura” (125) – Papelão: na manhã que arde – o cavalo empacado – enriquece a miséria do carroceiro- no Reino de Deus – guardando o dia santo” (140) – A recalcitrante: “o senhor é meu pastor – mas não me pastará” (142) – “Champanha antidrogas: não fumo – NEM JESUS” (143), entre outros.

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Lançamento do romance “Argos” e do CD “Vou à vila”, de Mauro Sta. Cecília

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Encontro com Gastão Cruz

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“Machado de Assis e o outro: diálogos possíveis” – Lançamento

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“Entre paredes e ondas”, de Alexandre Marinho – Lançamento

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